Sul do Chile: O roteiro que quase ninguém faz (e que se tornou a melhor viagem da minha vida)
Venha conhcer comigo um pouquinho mais sobre o Sul do Chile.
DICAS PRÁTICASCUSTOS E ORÇAMENTOROTEIROS REAIS
Wilian Ferreira
8/4/20264 min read


Imagine dirigir por estradas cercadas por vulcões nevados, almoçar salmão recém-pescado em uma pequena vila à beira de um lago cristalino e terminar o dia observando o pôr do sol em uma cidade onde o tempo parece passar mais devagar.
Quando comecei a planejar minha viagem ao sul do Chile, todos me recomendavam o mesmo roteiro: Santiago, Atacama ou Torres del Paine. Mas resolvi fazer diferente.
Conversei com moradores, li relatos de viajantes experientes e decidi explorar lugares que raramente aparecem nas listas dos "10 melhores destinos". Hoje posso dizer com tranquilidade: foi uma das decisões mais acertadas que já tomei.
O sul chileno entrega uma combinação difícil de encontrar em outro lugar: natureza exuberante, cidades charmosas, gastronomia inesquecível e preços mais acessíveis do que muitos imaginam.
Se você quer conhecer um Chile autêntico, este guia é para você.
Puerto Varas: a cidade que parece saída de um cartão-postal
A primeira parada foi Puerto Varas.
Logo ao chegar, a vista do imponente Vulcão Osorno refletido nas águas do Lago Llanquihue faz qualquer viajante parar por alguns minutos apenas para contemplar a paisagem.
As ruas têm forte influência da imigração alemã, com jardins floridos, cafés aconchegantes e construções de madeira muito bem preservadas.
Meu maior erro foi reservar apenas duas noites.
Se pudesse voltar no tempo, ficaria pelo menos quatro dias.
O que fazer
Caminhar pela orla do Lago Llanquihue.
Conhecer o Vulcão Osorno.
Visitar os Saltos del Petrohué.
Passear pelo Parque Nacional Vicente Pérez Rosales.
Fazer um passeio de caiaque ao amanhecer.
Preço médio dos passeios
Entrada do parque: entre R$ 60 e R$ 90.
Excursões completas: R$ 250 a R$ 500 por pessoa.
Aluguel de bicicleta: aproximadamente R$ 80 por dia.
Cochamó: o "Yosemite da América do Sul"
Pouquíssimos brasileiros conhecem Cochamó.
E talvez seja justamente isso que torna o lugar tão especial.
Depois de algumas horas de caminhada, surgem paredões gigantes de granito, rios azul-esverdeados e florestas praticamente intocadas.
O silêncio impressiona.
Você escuta apenas o vento e o som da água correndo.
Quem gosta de trekking vai entender rapidamente por que muitos montanhistas consideram Cochamó um dos lugares mais bonitos do continente.
Dica de ouro
Comece a trilha cedo.
As nuvens costumam aparecer durante a tarde e escondem parte das montanhas.
Carretera Austral: a estrada mais bonita que já percorri
Se existe uma estrada feita para quem ama viajar de carro, ela é a Carretera Austral.
Durante centenas de quilômetros, a paisagem muda o tempo inteiro.
Lagos.
Florestas.
Montanhas.
Geleiras.
Pequenos vilarejos.
Quase não há trânsito.
Em muitos momentos parecia que eu tinha toda a estrada só para mim.
A sensação de liberdade é indescritível.
Quanto custa dirigir?
Aluguel de carro:
Econômico: entre R$ 250 e R$ 400 por dia.
SUV: R$ 500 a R$ 900 por dia.
Combustível:
Cerca de R$ 9 a R$ 11 por litro (varia conforme a região).
Caleta Tortel: a cidade sem ruas
Essa foi a maior surpresa da viagem.
Caleta Tortel simplesmente não possui ruas tradicionais.
A cidade é conectada por quilômetros de passarelas de madeira construídas sobre a costa.
Você anda olhando para o mar praticamente o tempo inteiro.
Não existem semáforos.
Quase não há carros.
O ritmo é outro.
É impossível sair dali sem dezenas de fotografias incríveis.
Pumalín: a obra-prima de Douglas Tompkins
Pouca gente sabe que um empresário americano decidiu investir sua fortuna para preservar parte da natureza chilena.
O resultado foi o Parque Pumalín.
As trilhas são extremamente bem cuidadas.
Existem cachoeiras escondidas.
Florestas gigantescas.
Árvores milenares.
E pouquíssimos turistas.
Foi um dos lugares onde mais senti conexão com a natureza.
A gastronomia que merece muito mais fama
Se você acredita que o Chile se resume a empanadas, prepare-se para mudar de ideia.
Salmão Patagônico
Foi, sem exagero, um dos melhores peixes que já provei.
Extremamente fresco.
Servido geralmente com legumes, batatas ou purê.
Preço médio:
R$ 70 a R$ 140.
Curanto
O prato mais tradicional da Ilha de Chiloé.
É preparado lentamente com frutos do mar, carnes, linguiças, batatas e vegetais.
Originalmente tudo é cozido sob pedras quentes enterradas no solo.
É uma verdadeira experiência cultural.
Preço:
R$ 90 a R$ 160.
Centolla
Conhecida como o "caranguejo-rei".
Carne extremamente macia e levemente adocicada.
Mais cara, mas vale cada centavo.
Preço médio:
R$ 180 a R$ 350.
Kuchen Alemão
Herança da imigração alemã.
As melhores versões que experimentei eram de frutas vermelhas e maçã.
Perfeito para acompanhar um café depois de um dia de passeio.
Quanto custa viajar pelo sul do Chile?
Os valores variam conforme a época, mas esta foi uma média confortável por pessoa:
Hospedagem
Hostel: R$ 120 a R$ 220.
Hotel 3 estrelas: R$ 350 a R$ 600.
Hotel boutique: R$ 700 ou mais.
Refeições
Café da manhã: R$ 30 a R$ 60.
Almoço: R$ 60 a R$ 120.
Jantar completo: R$ 90 a R$ 180.
Passeios
Entre R$ 150 e R$ 600, dependendo da atividade.
Dicas que quase ninguém conta
Leve dinheiro em espécie
Nas cidades menores, nem todos os estabelecimentos aceitam cartões internacionais.
Não abasteça na última hora
Na Carretera Austral, alguns trechos têm muitos quilômetros sem postos de combustível.
Sempre que encontrar um posto, aproveite para completar o tanque.
Baixe mapas offline
Em vários trechos o sinal de celular simplesmente desaparece.
Aplicativos com mapas offline evitam grandes dores de cabeça.
Reserve hospedagem cedo
Entre dezembro e fevereiro, muitas pousadas familiares lotam com meses de antecedência.
Experimente restaurantes frequentados pelos moradores
Os melhores pratos da viagem não estavam nos restaurantes famosos, mas em pequenos estabelecimentos recomendados pelos próprios chilenos.
Foi ali que provei o salmão mais fresco e um curanto preparado de forma tradicional.
Vale a pena?
Depois de percorrer centenas de quilômetros pelo sul do Chile, ficou claro que o maior luxo daquela região não está nos hotéis ou nos passeios.
Está na sensação de dirigir sem pressa por estradas quase vazias.
Conversar com moradores.
Descobrir uma pequena cafeteria escondida.
Parar o carro apenas para observar um lago azul-turquesa.
O sul do Chile não é um destino para colecionar fotos.
É um lugar para colecionar memórias.
Se você procura uma viagem diferente, longe das multidões e cheia de experiências autênticas, dificilmente encontrará um lugar melhor.
E talvez seja justamente esse o maior segredo do sul chileno: ele não tenta impressionar.
Ele simplesmente acontece.
E, quando você percebe, já conquistou um espaço permanente entre as melhores lembranças da sua vida.
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